Posted by: .joana. | Maio 6, 2008

“serão sempre horas de partir”


[casa]

 

10

apenas um instante e as coisas mudam-se
umas nas outras enlaçadas,
então ocorre perguntar: porque não começa
a vida? noite após noite, os vastos
entrepostos alcatroados permanecem vazios,
e é possível, de longe, avistar as fogueiras
que a chuva ateia, e debaixo do lodo os corpos
abandonados pela guerra.

o universo, dirás, expande-se
e contrai… mas entretanto
já a folha corrói o desejado,
e a doença do verme anima o verso.
como esperar? são pálidas as bocas
a vídeo no vinil e a placenta,
e se perdeu a vaga parecença
da paisagem.

vamos por aí fora, ao deus dará, vertidos
em rima tosca,
serão sempre horas de partir, de beijar,
de voltar a casa para um jantar de madrugada,
de ir ao cinema para esquecer, de ficar
solto numa esquina, esquecido,
depois basta deitar fora toda a água parada
e será verão.

* António Franco Alexandre, in As Moradas 1 & 2,
Assírio & Alvim, Cadernos Peninsulares, Edição 226, Março de 1987

Respostas

recuso-me a acreditar que tenhas crocks! :p


Obrigado.. Info agradável…

Se Você Precisar de UM Blog, Tente Olhar “Leoxa.com”
(Os Temas São Tão Atraentes)

Inês, não só tenho crocs, como os meus pés andam neles há muito mais de um ano… :p

adorei o poema :)

Leave a response

Your response:

Categorias